quinta-feira, maio 05, 2005

Fim de projecto

'Last Light' é como o fotógrafo chamou à obra. Crepúsculo do dia ou manto da noite sobre uma determinada realidade? Olhamos sempre com a memória e projectamos em tudo os nossos afectos. O entardecer será belo ou o retorno tem cores de nostalgia? Vemos cinzento ou descortinamos já o novo dia? É simplesmente inacessível a outra margem ou estamos ansiosos de fazer a viagem? Sonhamos ainda ou desistimos já dessas aparições?

'O mundo é composto de mudança' e a uma substância correspondem muitas formas em sucessão.

Como sempre muita pergunta para resposta nenhuma. Terminamos aqui mais um projecto, despretencioso, sem metas definidas por objectivos mensuráveis, como está agora tanto na moda. Um projecto a que amigos dedicaram algum do seu tempo, dos seus saberes, da sua inspiração. Um espaço onde cada um projectou nos seus textos, imagens e comentários, o melhor de si em cada momento. A todos, obrigado pela colaboração, pelo bom humor, pelas emoções mais ou menos ténues , mais ou menos arrebatadas que aqui depositaram.

Paulo Quintela

terça-feira, maio 03, 2005


domingo, maio 01, 2005


Pose Real.

Dívida Liquidada

Uma tarde, um menino aproximou-se de sua mãe, que preparava o jantar, e entregou-lhe uma folha de papel com algo escrito. Depois de secar as mãos  e tirar o avental, ela leu:

  a) Cortar a relva do jardim: 3 €

  b) Por limpar o meu quarto: 1 €

  c) Por ir ao supermercado: 2 €

  d) Por cuidar de meu irmãozinho: 2 €

  e) Por tirar o lixo da semana: 1 € 

  f) Por ter um boletim com boas notas: 5 €

  g) Total da dívida: 14 €

A mãe olhou o menino, que aguardava cheio de expectativa. Finalmente, ela pegou num lápis e no verso da mesma folha escreveu:

  a) Por te transportar nove meses no meu ventre e te dar a vida: NADA

  b) Por tantas noites sem dormir, curar-te e orar por ti: NADA

  c) Pelos problemas e pelos prantos que me causaste: NADA

  d) Pelo medo e preocupação em relação ao teu futuro: NADA

  e) Por comidas, roupas e brinquedos: NADA

  f) Total da dívida: NADA

 

Quando o menino terminou de ler, tinha os olhos cheios de água. Olhou para a mãe e disse:"Eu te amo". E logo em seguida escreveu no papel: "TOTALMENTE PAGO!"

 

Salta-poçinhas

Podemos apoiar os pés num número finito de pilares, neste deambular pelos caminhos do existir. Umas vezes escolhemos nós onde nos apoiar, outras é o chão que vem ao nosso encontro. As razões da escolha são bem mais misteriosas do que pensamos. A cada novo pilar damos um nome, acariciamos-lhe as formas, tentamos sugar-lhe a essência. No apoiar do pé trocamos sensações, damos e recebemos. Quando, ao apoiarmo-nos num, sentimos os pés doridos pelos espinhos, podemos mesmo assim permanecer. Roçamos os pés, enterramos neles lascas de madeira. Se amaciamos o apoiar do peso, permanecemos, se do roçar se desprende mais dor ainda, saltamos para o pilar seguinte. Já cansados, saltamos de pilar em pilar, os pés em chaga, até encontrarmos poiso. Permanecemos então, nem sempre cómodos, ora porque o horizonte não é inspirador, ora porque queremos ir mais além.

Alguns pilares são frágeis, enterram-se no lodo sob o nosso peso. Por comodidade permanecemos apoiados enquanto não tomamos balanço para outro salto. Há pilares sólidos, tão compactos que nos dão aquela sensação de segurança reconfortante. Com o passar do tempo vemos que estes pilares não nos permitem o movimento, a respiração, que nos vão sugando a força vital.

Os pilares mais seguros, são aqueles que, fundados no principio da vibração, vão oscilando, acompanhando-nos o movimento, dançando sob o nosso peso. Pilares dinâmicos , vivos, organicos, mutáveis. Acompanham o movimento da maré e são porosos como membranas vivas, permitindo a troca de fluidos vitais, dotados connosco dum equilibrio instável que vai permitindo sempre novas formas de adaptação, novos estados, nova vida.

sábado, abril 30, 2005

Lisboa

Recomendo um passeio pela zona oriental de Lisboa. Subam a Almirante Reis até ao Chile, passeiem na Morais Soares, sem entrar no bairro, espreitem o Intendente.

O caminho das pedras

Se o caminho fosse asfaltado seria igual a todos os caminhos. O que vamos encontrando nos percursos que fazemos vale sempre a viagem, mesmo que no final, a árvore esteja seca e ressequida e tenhamos de voltar atrás ou divergir para outro oásis, sabendo nós bem que oásis são coisas que não existem.

terça-feira, abril 26, 2005

Era uma vez...

Um blog, dois blogs, três blogs.

quarta-feira, abril 20, 2005

Rascunho


Que olhar ternurento!!

sexta-feira, abril 15, 2005

Leonardo da Vinci


O artista renascentista italiano nasceu em 15 de Abril de1452. Onde quer que estejas, Leonardo, se é que estás em algum lado, parabéns para ti!

quinta-feira, abril 14, 2005

Caldo primordial.

segunda-feira, abril 11, 2005


Dizem que este Sr é papável... (bendita língua portuguesa)

Que somos nós

"Que somos nós senão o que fazemos?

Que somos nós senão o breve traço

da vida que deixamos passo a passo

e e já sombra de sombra onde morremos?

 

Que somos nós se não permaneceremos

no que por nós transformado neste espaço?

Que serei eu senão só o que faço

e é tao pouco no tempo em que não temos

 

para viver senão o tempo de

transformar neste tempo e neste espaço

a vida em que não somos mais do que

 

o sol do que fazemos.  Porque o mais

é já sombra de sombra e o breve traço

de quem passamos para nunca mais."

 

Manuel Alegre

domingo, abril 10, 2005

Guerra Civil

Conduzir em Portugal é cada vez mais um acto de coragem ou lunatismo e circular a pe, equivale a ser um alvo fácil numa guerra na qual nao escolhi partido. Pessoalmente, sinto-me ameaçada na qualidade de transeunte e/ou de condutora. O espaco minímo de segurança que em qualquer país da Europa é mantido entre veículos e entre veículos e peoes, é inexistente no inconsciente colectivo do automobilista nacional. Laissez-faire, laissez passer parece ser o mote.

Aterrador!

http://www.aca-m.org/

PS. Á Joana, a Claudia e a todas as outras vitimas inocentes deste genocidio.

A vida é Bela do outro lado das vidraças


  ... não houvesse outro vidro, janela, reflexo a encobrir o sol

quinta-feira, abril 07, 2005

Emoções

'A morte não é a maior perda da vida....A maior perda da vida é o que morre dentro de nós...' ...e porque morremos aos poucos, só muito tarde nos damos conta de que não somos mais o nosso arquétipo, transmutamo-nos lentamente para algo de indefinido, cedemos sem consciência aos valores dominantes; chamamos-lhe adaptação e este pode ser um parto muito doloroso. Todos diferentes, todos iguais.

quarta-feira, abril 06, 2005

Paz

As cores do Alentejo, a simplicidade das gentes e uma companhia doce, fazem os dias claros.

domingo, abril 03, 2005

O Amor é Tramado

"Meu adorado coracao que sentes profundamente a falta de uma visao! Oh, coracao mal-afortunado!  O teu fervor foi traido e as tuas falsas esperancas seduziram-me. 

 

A paixao que outrora me prometera incontaveis prazeres nao e agora senao desespero mortal, tao cruel como a sua causa: a separacao do meu bem amado.  O meu pensar recorda com ingenuidade a sua ausencia e nao sabe que nome triste lhe dar.  Ficarei para sempre privada da contemplacao daquele olhar onde dantes bebia tanto amor, que me ensinou extases incompraveis, que era tudo para mim.  Escuta-me meu amor: os meus olhos, pobre de mim, perderam a unica luz que lhes dava vida.  Apenas as lagrimas os animam; so posso orderar-lhes que chorem infindavelmente desde que percebi que tinhas decidido partir.

 

E, contudo,  agarro-me com afeicao ao sofrimento que me causaste:  consagrei a minha vida a tua desde o primeiro momento em que te vi e orgulho-me de ter feito tal sacrificio.  Mil vezes nas ultimas horas tenho enviado os meus suspiros para te procurarem por toda a parte, mas a unica resposta a minha inqueitacao e uma prudente voz de aviso, fiel ao meu triste destino e suficientemente desumana para me proibir a mais ligeira ilusao, que me repete a todo o momento: "Descansa.  Deixa de te mortificar em vao e de procurar o amante que nunca mais voltaras a ver, que abandonou este mundo terreno,  e que agora estara, rodeado de alegrias, sem pensar um so instante na tua aflicao, um amante que encontrou novos prazeres e ja nem recorda os que contigo partilhou. "

(...)  Peco-te que me ilumines apenas e me confesses o que te levou a encantar-me assim, sabendo que havias de me abandonar.  Meu Deus!  O que te possuiu para me enlevares tao profundamente para agora me abandonares?  Porque nao me deixaste entregue a minha vida e sossegada no liceu da Amadora?  Que mal e que eu te fiz?  "

 

Maria das Dores Rosalvo, a Joao Paulo II, despedida postuma in www.joaopauloII.fanclub.com

 

Ciúme


 

Venham ver a maravilha

Do seu corpo Juvenil!

 

O sol encharca-o de luz

E o mar de rojo tem rasgos

De luxúria provocante.

 

Avanço,  Procuro Olha-lho

Mais de perto .... A luz é tanta

Que tudo em volta cintila

Num clarão largo e difuso ...

 

Imagino-o nu - saltando e indo,

Sobre a areia da praia

Parece um astro fulgindo.

Procuro olha-lo; - e os seus olhos

Amedrontados, recusam

Fixar os meus ... -  Entristeço

 

Mas nesse olhar fugidio -

Pude ver a eternidade

Do beijo que eu nao mereço

 

Antonio Botto 

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