Podemos apoiar os pés num número finito de pilares, neste deambular pelos caminhos do existir. Umas vezes escolhemos nós onde nos apoiar, outras é o chão que vem ao nosso encontro. As razões da escolha são bem mais misteriosas do que pensamos. A cada novo pilar damos um nome, acariciamos-lhe as formas, tentamos sugar-lhe a essência. No apoiar do pé trocamos sensações, damos e recebemos. Quando, ao apoiarmo-nos num, sentimos os pés doridos pelos espinhos, podemos mesmo assim permanecer. Roçamos os pés, enterramos neles lascas de madeira. Se amaciamos o apoiar do peso, permanecemos, se do roçar se desprende mais dor ainda, saltamos para o pilar seguinte. Já cansados, saltamos de pilar em pilar, os pés em chaga, até encontrarmos poiso. Permanecemos então, nem sempre cómodos, ora porque o horizonte não é inspirador, ora porque queremos ir mais além.
Alguns pilares são frágeis, enterram-se no lodo sob o nosso peso. Por comodidade permanecemos apoiados enquanto não tomamos balanço para outro salto. Há pilares sólidos, tão compactos que nos dão aquela sensação de segurança reconfortante. Com o passar do tempo vemos que estes pilares não nos permitem o movimento, a respiração, que nos vão sugando a força vital.
Os pilares mais seguros, são aqueles que, fundados no principio da vibração, vão oscilando, acompanhando-nos o movimento, dançando sob o nosso peso. Pilares dinâmicos , vivos, organicos, mutáveis. Acompanham o movimento da maré e são porosos como membranas vivas, permitindo a troca de fluidos vitais, dotados connosco dum equilibrio instável que vai permitindo sempre novas formas de adaptação, novos estados, nova vida.