quarta-feira, outubro 06, 2004

Amo-te

Elizabeth Barret Browning legou-nos um testemunho duradouro do seu grande e puro amor. Uma manhã, na Itália, entregou a Robert Browning um caderno de poemas, mais tarde publicados sob o título de Sonnets from the Portuguese (Sonetos traduzidos do Português). Um destes é considerado o mais belo poema de amor escrito por uma mulher, em língua inglesa:

 

 

Amo-te quanto em largo, alto e profundo

 Minh’alma alcança quando, transportada,

 Sente, alongando os olhos deste mundo,

 Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

 

 Amo-te em cada dia, hora e segundo:

 À luz do Sol, na noite sossegada.

 E é tão pura a paixão de que me inundo

 Quanto o pudor dos que não pedem nada.

 

 Amo-te com o doer das velhas penas;

 Com sorrisos, com lágrimas de prece,

 E a fé da minha infância, ingénua e forte.

 

 Amo-te até nas coisas mais pequenas.

 Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,

 Ainda mais te amarei depois da morte.

 

(Tradução de Manuel Bandeira)

2 Comments:

Blogger PQ said...

Lindo...

07 outubro, 2004 18:38  
Blogger Lia said...

O teu "Lindo..." não sofre de gaguez :) Foi bem mandado!

08 outubro, 2004 17:50  

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