quinta-feira, outubro 21, 2004

Do Amor Impossível

Do Amor Impossível
 

 

Ferido o meu coração que sangra e

Dói cada vez mais

Das cinzas renasce a dor

Numa melancolia atroz

Antevendo uma renúncia

No auge duma paixão

De sentimentos inegáveis

Onde só existe contradição

 

Queria ter sonhos para te dar

Mas só tenho a minha dor

Que não sara a ferida

Que teima em não querer cicatrizar

E a mágoa escorre em gotículas

Onde as lágrimas não tem lugar

Nas manhãs do imaginário

Houve um sonho que não se chegou a realizar

 

Nosso corpos nunca se tiveram

Nossas bocas nunca se beijaram

Nossas mãos nunca se entrelaçaram

E no entanto sinto falta do teu corpo

Dos teus lábios sobre os meus

Do toque da tua mão

Das palavras sussurradas

No momento da paixão

 

Não se pode perder

Aquilo que não se tem

E eu sem saber o quê

Sei que perdi

No meu castigo busco o sofrimento

Esperando o perdão para expiar

Um pecado que não cometi

 

Foste embora e que te importa

Se deixaste meus sonhos

Espalhados pelo chão

Se nas prateleiras do meu medo

A poeira transparece

Por entre os raios de luz

Que a janela da minha solidão

Teima em deixar penetrar

 

Que te importa se a noite cai

E os fantasmas chegam

Para me povoar o sono

Transformado em pesadelos

Que te importa se terei que aprender

A ser feliz

Ainda que tudo seja falso, triste e onde

Nunca houve lugar para nós

                                Que nunca fomos nós

 

 Piedade Araújo Sol

13 Comments:

Blogger PQ said...

Como prometido, aqui publico o teu belo poema.
Espero que desta vez o teu webmaster não pense em cobrar os direitos autorais :))

21 outubro, 2004 08:17  
Blogger Tuna said...

Como só a poesia sabe dizer de amores impossíveis...

PQ, publica mais da Piedade, porque se o webmaster cobrar, fazemos uma subscrição :))

21 outubro, 2004 09:51  
Anonymous Anónimo said...

Lindo poema...
Sinceramente é pela primeira vez que fico comovida ao ler um poema. Não pude conter as minhas lágrimas. Faço da dor que guardo neste coração vadio, as palavras deste poeta. De todos os poemas que já li, este de certeza jamais esquecerei.
Quero ler mais da Piedade!


PS: Sabia que não estava enganada quando disse que admirava o teu bom gosto! :))

21 outubro, 2004 20:11  
Blogger PQ said...

A poesia é a seiva da alma, se é que isso existe. É um ansiolitico não poluente, uma forma de organizar o pensamento e esconjurar os demónios mais ou menos imaginários que vivem dentro de cada um de nós - daqueles que se recusam ao pensamento por interposta pessoa.
O poema é muito belo sim.

21 outubro, 2004 20:52  
Blogger Alternância said...

Penso que deve haver aqui um esclarecimento. A Piedade Sol, não sendo webmaster do site alternância, é também uma das responsáveis pela página, pelo que ninguém cobra ou cobrou direitos autorais, como referiram. Os autores são livres de terem os seus trabalhos em outras páginas na Rede. Nós não nos incomodamos com quem nos cite, e muito surpresos ficamos quando resolveram retirar o poema da Piedade quando, simplesmente, quisemos dizer que, como manda o bom-senso e a educação, deviam ter colocado a origem da citação, depois de dizerem quem é o autor (elemento que se estivesse em falta, aí sim, proceder-se-ia à "cobrança" dos direitos). Respeito uns pelos outros, na Rede, também deve haver. E cordialidade.

Saudações do "webmaster" do www.alternancia.no.sapo.pt

22 outubro, 2004 10:24  
Blogger PQ said...

Para todos os que apreciam a poesia de Piedade Sol, é com prazer que citamos o site onde ela se encontra publicada, exclusivamente para que possam apreciar o acervo da obra. Quanto ao mais, cumpre esclarecer que este poema foi aqui publicado com a aquiescência explícita da autora e com o nome da mesma no final do poema, como não poderia deixar de ser. Aproveito para manifestar aqui mais uma opinião muito fora de modas, desfasada dos tempos que correm mas na qual tenho muito orgulho: as obras pertencem aos autores e só até ao momento em que as dão à estampa. A partir daí o poema autonomiza-se, ganha vida e cor, como um filho querido segue o seu caminho nos trilhos da vida. Já publicámos aqui Manuel Alegre, Eugénio de Andrade, Albert Camus, Carlos Drummond de Andrade, Miguel Torga. Aguardamos ansiosamente o seu protesto.

Aproveito para apresentar a Piedade Sol as minhas sentidas desculpas pelos transtornos que esta pseudo-polémica lhe possa causar.

O endereço é o seguinte: http://alternancia.no.sapo.pt/sol.htm

Nota: A referência a direitos autorais, para quem eventualmente não de tenha apercebido, era simplesmente um exercício de ironia, estilo que cultivamos por oposição ao cinzentismo reinante

22 outubro, 2004 18:23  
Blogger Alternância said...

Como posso constatar, continua a haver aqui falta de entendimento, ou mesmo não querer entender o que se disse. De forma alguma o alternância, como site, sente-se no direito - que o não tem efectivamente - de dominar os textos dos seus colaboradores, tanto que os nossos autores alguns escrevem, por assim dizer, para o site, outros enviam-nos textos de obras suas já publicadas - quer em livro, quer em outros sites/blogs. Pessoalmente também considero que um texto, ao tornar-se público, pode e deve ser partilhado, desde que lhe não alterem a autoria.
Devo ainda esclarecer que não conhecia este blog. O facto de haver aqui a citação de um poema da Piedade Araújo Sol foi-me informado pela própria autora que me advertiu "citaram um texto meu escrito para o alternância mas não tem o endereço do site". Depois de ter verificado o tal post, não vi qualquer problema de maior, o nome do autor do poema não tinha sido omitido e/ou substituido, pelo que não ia contra qualquer regra.
O que acontece é que, nós, que estamos na Rede há alguns anos, quando tiramos de um site alheio um texto para o divulgarmos em algum dos nossos sites, fazêmo-lo dizendo onde fomos buscar o texto. E foi apenas essa ideia que eu deixei, neste espaço de comentários, quando quis verificar o alerta que a autora me tinha dado. Quanto ao resto, meu caro senhor, são equívocos seus. E falta de cordialidade.
Eu peço desculpa aos leitores e outros editores deste blog, pela «polémica» que por mim não foi levantada.

Um bem haja a todos, a todos nós que partilhamos a literatura com gosto e respeito.

O webmaster do alternancia

José Alexandre Ramos

22 outubro, 2004 18:40  
Blogger PQ said...

Creio que fizemos já publicidade suficiente ao Alternância. Vivemos na realidade tempos conturbados...

22 outubro, 2004 19:27  
Blogger Alternância said...

Pois... parece residir aí o busilis da questão: a publicidade ao alternância. Terá sido por isso que não fez referência ao site onde foi buscar o poema desde a primeira vez (e continuando depois, apesar do pedido da própria autora, que é, faço lembrar, co-responsável pela página)?... Estava receoso que os seus leitores se desviassem? Calma, há espaço suficiente para todos na Rede!

Enfim... e eu que desde o primeiro minuto disse que esta citação era uma factor positivo para autora do poema, está a tornar-se numa "guerrinha" absurda que vou simplesmente voltar as costas, uma vez que é absolutamente estúpido haver destas coisas... fossem elas logo compreendidas desde o início. A sua atitude em retirar o post com o poema,(«Serve o presente para comunicar que no seguimento do vosso commentário no meu Blog, acabei de excluir o poema de Piedade Araújo Sol.» [email de pqmaf@sapo.pt, dia 12.10.2004 22H03]) é que despoletou esta triste troca de palavras. Nós não nos calamos quando somos afrontados com a arrogância. E acredite que a publicidade que está a fazer ao alternância em nada nos abona - só nos prejudica. Posto isto, deixo este espaço.
Bom trabalho... e vão citando.

22 outubro, 2004 21:22  
Blogger PQ said...

Finalmente uma atitude correcta. Terminar uma polémica cuja esterilidade é evidente. Terminando-a de um modo esclarecedor, violando a privacidade da correspondência... A este propósito cumpre informar que o conteúdo do mail por mim enviado ao webmaster do Alternância corresponde ao original (já não é mau), e foi enviado como resposta ao seu comentário. O primeiro poema foi retirado. O poema presente foi incluído no blog por pedido expresso da autora do mesmo e será imediatamente retirado se a autora manifestar essa intenção. É significativo o silêncio da autora em relação à polémica pois foi a autora que sugeriu este poema específico e manifestou inequivocamente o prazer que sentia em vê-lo incluído neste Blog é quanto basta para inclui-lo. Há silêncios que clamam bem alto.
Quanto ao desvio de leitores, o meu amigo estará porventura demasiado embrenhado no modelo de sociedade de consumo em que vivemos e foi concerteza atingido em pleno pela filosofia do sucesso a todo o custo.
Quem nos conhece, aos quatro responsáveis por este despretensioso Blog, sabe que vimos aqui por prazer, que gostamos da polémica, que não vivemos disto, que não somos profissionais da Web, que somos amigos e que gostamos de atirar pedras ao charco, só se enlameando quem a isso se presta. Desvie o meu distintíssimo amigo todos os leitores que pretender, só aqui vem quem nisso sente algum prazer, é quanto nos basta, sejam dez ou mil por mês.
Utilizamos a Web há mais de dez anos, temos uma filosofia própria e dá-nos muito gozo quando nos deparamos com os ‘profissionais’ desta coisa.

23 outubro, 2004 14:12  
Blogger PQ said...

Errata: onde se lê ' Quanto ao desvio de leitores, o meu amigo estará porventura demasiado embrenhado no modelo de sociedade de consumo em que vivemos e foi concerteza atingido em pleno pela filosofia do sucesso a todo o custo.', leia-se 'Quanto ao desvio de leitores, o meu amigo estará porventura demasiado embrenhado no modelo de sociedade de consumo em que vivemos e foi com certeza atingido em pleno pela filosofia do sucesso a todo o custo.

23 outubro, 2004 16:41  
Blogger Alternância said...

Notar bem: eu não sou seu amigo.

23 outubro, 2004 23:01  
Blogger PQ said...

Já supunha que não.

23 outubro, 2004 23:27  

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