quinta-feira, outubro 14, 2004

Sonho - Fernando Pessoa

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,

Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.

Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,

Coração de ninguém.

1 Comments:

Blogger Lia said...

Cá para mim este andava sempre ébrio, alucinado, delirante e/ou febril. Bem dizia o outro (Mário de Sá Carneiro), por sinal amigo deste e tão alucinado quanto ele, que a loucura é uma fina sensibilidade.
Como "de poetas e loucos todos temos um pouco", toca a escrever! Mas não tomem comprimidos, senão podem arrepender-se de terem nascido "Minha alma não tem alma./Se existo é um erro eu o saber". :)

19 outubro, 2004 16:14  

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